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‘Igreja precisa mudar sistema que abusa das freiras’, diz autor de livro sobre vida religiosa feminina

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  • Lucas Ferraz
  • De Roma para a BBC News Brasil

Crédito, Divulgação

Legenda da foto,

O vaticanista Salvatore Cernuzio acompanha os temas da Igreja em Roma há uma década

Em certos mosteiros, conventos e comunidades religiosas da Igreja Católica, adorar e servir a Deus é sinônimo de humilhar-se e submeter-se aos desejos dos superiores, sem contestação. Principalmente se for uma mulher.

Mesmo para as freiras que têm graduação ou pós-graduação, ser um “servo do senhor” significa, frequentemente, realizar atividades serviçais como lavar roupa ou cozinhar, quando não limpar neve em temperaturas extremas ou ser discriminada por causa da cor de pele e origem.

A rotina de abusos de poder e assédios morais, manipulações e chantagens contra as mulheres que optaram pela vida religiosa é assunto que tem ganhado cada vez mais atenção das autoridades do Vaticano. Um exemplo é um livro que acaba de ser publicado na Itália, Il velo del silenzio (“O véu do silêncio”, em tradução), cujo subtítulo é autoexplicativo: “abusos, violências, frustrações na vida religiosa feminina”.

O autor é o vaticanista Salvatore Cernuzio, de 34 anos, que acompanha os temas da Igreja em Roma há uma década. Jornalista que faz parte da Rádio Vaticana, órgão oficial da Santa Sé, ele passou um ano levantando os casos relatos no livro publicado pela editora católica San Paolo.

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