Biden anuncia sanções contra a Rússia e envia mais tropas à Ucrânia
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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou medidas mais duras contra a Rússia após entender que o presidente russo, Vladmir Putin, já iniciou a invasão da Ucrânia. Além de sanções econômicas, Biden admitiu que autorizou a ida de mais tropas militares para a região.
Nesta terça-feira (22/2), Biden defendeu que Putin está avançando sob o território ucraniano e desrespeitando leis e acordos internacionais, o que considerou inaceitável. Esse é, até a o momento, o momento mais tenso da crise geopolítica.
“A Rússia anunciou que vai pegar uma parte do território da Ucrânia, permitiu a entrada de militares e está avançando”, frisou o norte-americano, em pronunciamento. Ele completou: “Putin atacou o direito da Ucrânia de existir”.
O presidente dos EUA anunciou o bloqueio de dois bancos russos, sendo um militar, o que impede que a Rússia venda títulos no mercado internacional, além de restrições para políticos e seus familiares.
“Os Estados Unidos vão defender cada milímetro do território da Otan. Achamos que Putin irá avançar ainda mais e irá atacar a Ucrânia. Temos a intenção de lutar contra a Rússia. Se a Rússia avançar, terá que arcar com as responsabilidades. Nós não seremos enganados”, ressaltou.
A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que pode desencadear um conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível guerraWolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito iminenteAgustavop/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho e evitar avanços de possíveis adversários nesse localPawel.gaul/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoIsso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 kmGetty Images
***russia-ucrania-conflitoO presidente russo, Vladimir PutinAndre Borges/Esp. Metrópoles
***russia-ucrania-conflitoUma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do paísPoca/Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e planeja invadir o território ucraniano antes do fim da Olimpíada de Inverno de Pequim, segundo informações do jornal americano The New York TimesKutay TanirGetty Images
***russia-ucrania-conflitoPor outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta OTAN/Divulgação
***russia-ucrania-conflitoApesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por territórioAFP
***russia-ucrania-conflitoAlém disso, para o governo ucraniano, o conflito iminente é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu territórioElena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoDesde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do EstadoWill & Deni McIntyre/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoSegundo especialistas, o conflito iminente teria potencial para impactar economicamente o mundo inteiro. Os países da Europa Ocidental, por exemplo, temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários delesVostok/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoEmbora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo Vinícius Schmidt/Metrópoles
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Respostas da comunidade internacional
Biden entende que, ao reconhecer Donetsk e Luhansk como repúblicas independentes, Putin admitiu que irá pegar o território para a Rússia. Segundo o presidente norte-americano, Putin autorizou que militares avancem para outras regiões ucranianas.
“Por que Putin acha que tem direito de dizer que tem direito ao território de outro país? Desrespeita leis internacionais e necessita de respostas da comunidade internacional”, criticou.
Biden disse que a Rússia mantém cerca de 150 mil soldados na fronteira com a Ucrânia. “Os Estados Unidos continuarão dando apoio militar à Ucrânia. Autorizamos a ida de mais tropas num movimento defensivo”, salientou.
Terça-feira agitada
O discurso de Biden se junta ao movimento da comunidade internacional. Nesta terça, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia, por exemplo, criticam a postura de Putin, alertaram para os riscos de um conflito e anunciaram sanções econômicas contra a Rússia.
Na mesma esteira, Alemanha, França e Reino Unido anunciaram restrições econômicas contra Putin. Na prática, essa é uma tentativa de isolar o presidente russo de forma que ele fique sem condições de realizar um ataque. A Ucrânia pediu aos países do Ocidente mais armas sob o argumento de defesa contra a Rússia.
Crise em escalada
A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Otan, entidade militar liderada pelos Estados Unidos.
Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existiam desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).
Nos últimos dias, a crise aumentou. A Rússia enviou soldados para a fronteira com a Ucrânia, reconheceu duas regiões separatistas ucranianas como repúblicas independentes e tem intensificado as atividades militares. A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, quando anexou a Criméia ao seu território.
Comunidade internacional em alerta
Nesta terça, uma série de declarações de lideranças mundiais deu a dimensão do patamar que a crise no leste europeu está atingindo.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, fez um alerta sobre a possibilidade iminente de um ataque russo à Ucrânia.
Stoltenberg pediu calma e defendeu uma solução diplomática. “Nunca é tarde para não atacar. Pedimos à Rússia que recue e desescale militares e se esforce diplomaticamente”, salientou.
Arsenal nuclear
Minutos depois da declaração, Putin se defendeu. Em entrevista no Kremlin, sede do governo russo, voltou a sustentar que a Ucrânia oferece risco à Moscou por ter “grande arsenal de armas nucleares”. Ele repetiu que os vizinhos têm usinas nucleares e podem enriquecer uranio, material básico para bombas atômicas.
“A Ucrânia, desde a época soviética, possui grande força nuclear, como usinas. O que falta para eles é somente um sistema de enriquecimento de urânio. Para a Ucrânia, isso é um problema simples. Para nós, é uma ameaça estratégica”, frisou Putin.
Sanções
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o continente está preparado para aplicar sanções econômicas contra a Rússia e as regiões separatistas da Ucrânia. Essa é mais uma tentativa de evitar um embate no leste europeu.
“É inaceitável o que a Rússia está fazendo. Fere a soberania internacional e da Ucrânia. Estamos unidos para punir a Rússia. Essa é uma resposta para as atitudes do Kremlin”, alertou.
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