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Engenheira diagnosticada com câncer de mama aos 28: “A vida continua”

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Com a evolução das ferramentas de diagnóstico e a mudança do estilo de vida, o câncer de mama deixou de ser uma doença associada a pessoas idosas. Tipo de tumor mais comum entre as mulheres, ele é responsável por 30% das neoplasias identificadas entre elas e as alcança cada vez mais jovens.

A engenheira civil Natália Reis, de 30 anos, foi diagnosticada aos 28. Com uma mama considerada densa, fazia acompanhamento de dois nódulos a cada seis meses há alguns anos. Durante uma viagem com o marido, sentiu um dos caroços no toque. “Continuamos com as férias, mas fiquei super preocupada, com isso na cabeça. Um dia depois de termos voltado a Brasília, fui fazer a ecografia”, conta.

No exame de imagem, o radiologista percebeu que um dos nódulos tinha mudado de tamanho e estava com um formato diferente. O profissional pediu uma biópsia, seguindo o protocolo, mas tranquilizou Natália. Lembrou que ela era jovem, e que não devia ser nada demais.

Ainda assim, a engenheira marcou cinco mastologistas para a semana seguinte. Todos repetiram o discurso, e Natália acreditou que não seria um tumor. Duas semanas depois, veio o diagnóstico de câncer de mama.

“O clichê é verdadeiro: abre um buraco, você cai e não se vê saindo dali. É muito difícil”, diz. Natália e o marido correram para um dos mastologistas, que fez o diagnóstico oficial e pediu uma bateria de exames para entender melhor a doença.

Tipo de tumor

Hoje em dia, faz toda a diferença para o tratamento saber exatamente as mutações e o tipo de tumor do paciente. O câncer de Natália tem uma mudança no gene BRCA2. A tia paterna dela havia sido diagnosticada com o mesmo tipo de neoplasia três meses antes, mas não é possível estabelecer uma relação direta, pois a mutação também pode ter vindo da família materna.

A oncologista Andreza Souto, da Oncoclínicas Brasília, é responsável pelo tratamento da engenheira e conta que mulheres com essa alteração genética têm 70% mais chance de desenvolver câncer de mama e ovário, e os homens, câncer de próstata.

“Todos nascemos com o gene BRCA2, ele conserta erros do DNA. Se está defeituoso, não consegue trabalhar. O câncer é um erro no DNA, uma mutação, uma alteração genética. Se ele não consegue ser reparado, o câncer aparece”, ensina a médica.

A especialista explica que, hoje, os cânceres de mama estão sendo diagnosticados em mulheres cada vez mais jovens. Na Oncoclínicas, por exemplo, cerca de 60% das pacientes têm menos de 50 anos. Além dos casos como o de Natália, relacionados a erros genéticos, o estilo de vida aumenta a incidência de tumores.

Fatores comportamentais

De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgada nesta sexta (1º/10), 13,1% dos casos de câncer de mama em mulheres com 30 anos ou mais têm relação com fatores comportamentais, como alcoolismo, obesidade e sedentarismo.

Andreza completa, dizendo que o consumo de hormônios, seja em remédios, comida ou em “pílulas da beleza” também pode elevar a chance de desenvolver a doença.

A oncologista defende que o teste genético seja feito em todas as mulheres com menos de 45 anos diagnosticadas com câncer. Como a alteração no gene pode aumentar o risco para outros tumores, o conhecimento é importante para direcionar o acompanhamento e a prevenção.

Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), o teste deve ser coberto pelo plano de saúde caso a mulher seja diagnosticada com menos de 35 anos, ou nas pacientes com menos de 50 que tenham um familiar diagnosticado com câncer de mama, ovário ou próstata. No particular, o exame varia entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil.

Cirurgia bilateral

O tratamento indicado para Natália foi uma mastectomia bilateral – cirurgia semelhante à realizada na atriz Angelina Jolie. O material foi enviado para testes nos Estados Unidos, que verificaram a necessidade de quimioterapia.

“Em nenhum momento achei que fosse morrer. Estava muito claro pra mim, nunca foi uma possibilidade morrer. Me ajudou muito entender que o câncer era uma fase, que eu iria passar por aquilo, a vida iria continuar. Existe muita vida após o câncer. É uma doença muito séria, a gente sabe que é grave e fatal para muitas pessoas, mas hoje o tratamento está evoluindo e há uma sobrevida muito boa e de qualidade”, conta Natália.

Ela explica que a quimioterapia foi, disparada, a pior fase do tratamento. A engenheira não teve muito enjoo e queda de cabelo (ela usou uma touca especial), mas sentiu muita dor e o psicológico ficou abalado. “A gente se olha e não se identifica no espelho”, lembra.

O marido e a família de Natália foram essenciais em todo o processo. Era pelo apoio deles que ela levantava todos os dias e fazia pelo menos uma caminhada, seguia vivendo e reforçando dentro de si que alcançaria a cura.

“Fomos juntos, e foi essencial para mim ter eles comigo. Sei que sou privilegiada, a doença não é igual para todo mundo, mas acho que é importante essa visão de que o câncer é um problema que passa e a vida continua”, explica.

Hoje, pouco mais de um ano depois da última sessão de quimioterapia, Natália faz hormonioterapia. De três em três meses, realiza exames para monitorar a possibilidade de volta da doença. O tratamento deve seguir por, pelo menos, cinco anos.

Aos poucos, a engenheira vai retomando a rotina de exercícios que tanto gosta, as corridas, os passeios de bicicleta. Ela precisará ser acompanhada para o resto da vida, para evitar uma recidiva. Mas a oncologista Andreza considera que a engenheira está curada.

“No Outubro Rosa, a gente precisa enfatizar muito que a prevenção e detecção precoce estão ligadas à cura, são a chave de tudo. A gente viu, na pandemia, muita gente chegando com tumor já grande porque adiou os exames”, alerta a oncologista.

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