Olimpíada de Tóquio 2020: Quem é Marta, a dois gols de tornar-se a maior artilheira do Brasil em Olimpíadas
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Crédito, Getty Images
Marta é capitã da seleção, camisa 10 e já marcou gols em todas as partidas da Olimpíada de Tóquio até agora
Ao entrar em campo na partida do Brasil contra a Zâmbia na terça-feira (27/7) durante a Olimpíada de Tóquio, a jogadora de futebol Marta Vieira da Silva fica mais perto de conquistar mais um ineditismo à sua carreira repleta de prêmios, recordes e, claro, gols.
A alagoana de 35 anos está a dois gols de se tornar a maior artilheira do Brasil em Olimpíadas. Hoje, o posto é de uma grande parceira de Marta em campo: Cristiane, que marcou 14 gols nos Jogos e não foi convocada para a Olimpíada de Tóquio, o que lamentou publicamente.
Marta já tem 13 gols marcados em Olimpíadas, três em Tóquio — contra a China e a Holanda.
Após o empate com a Holanda no sábado (24/7), a atleta, conhecida também como Rainha, comentou a possibilidade de se tornar a maior artilheira brasileira em Olimpíadas, e foi modesta.
“O objetivo é outro. Fazer gols é parte do meu trabalho, fico feliz, mas sempre pensando no coletivo. O individual e os recordes sempre aconteceram naturalmente na minha vida, nunca foi algo forçado. Se tiver oportunidade de fazer mais um ou dois, vou estar sempre fazendo gol pra ajudar minha equipe”, afirmou, em entrevista publicada pelo site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Cristiane é também a maior artilheira olímpica no quadro geral de países, o que deixa Marta mais próxima da marca mundial. Entretanto, falar que a alagoana é a maior artilheira de todos os tempos no mundo ainda é incerto, uma vez que em Tóquio ela está disputando páreo a páreo em número de gols com a canadense Christine Sinclair.
A primeira Olimpíada que incluiu o futebol feminino foi a de Atlanta, em 1996. Marta participou dos Jogos de Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 — e em todos, fez gols. Em Tóquio, ela e as colegas esperam conquistar um ouro inédito para seleção feminina.
A conquista de uma Copa do Mundo também está na fila das jogadoras brasileiras, mas na competição Marta já conquistou sua marca pessoal: em 2019, ela se tornou a jogadora de futebol com mais gols na Copa, entre mulheres e homens. Ela fez 17 gols em cinco Copas e 19 partidas; atrás, vem Miroslav Klose, da seleção masculina da Alemanha, que fez 16 gols em quatro Copas e 24 partidas.
Crédito, Getty Images
Marta foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo em prêmio da FIFA
A alagoana carrega ainda outro ineditismo, o de ter sido premiada seis vezes como a melhor jogadora de futebol do mundo pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018.
Além da seleção brasileira, a atleta joga no time americano Orlando Pride desde 2017.
Dentro do campo e fora, Marta é um ícone do futebol feminino não só pela craque que é, mas por vestir a camisa do debate sobre as desigualdades de gênero no esporte e além. Afinal, ela mesma, nascida em 1986, cresceu junto com os primeiros anos em que o futebol passou a ser permitido para mulheres no Brasil — de 1941 a 1979 a prática do esporte ficou proibida por um decreto do ex-presidente Getúlio Vargas. O futebol feminino só foi regulamentado em 1983.
Dois Riachos, Alagoas: das dificuldades às honrarias por jogar futebol
Há um texto que Marta escreveu para si mesma quando jovem, inicialmente publicado no site The Players’ Tribune, que ela frequentemente lê em entrevistas — e quase sempre se emociona.
Nele, a atleta relata que, quando criança, se escondia da família e enfrentava a implicância de colegas ao jogar futebol na pequena Dois Riachos (AL).
Seus pais se separaram quando ela tinha um ano de idade, sua mãe trabalhava fora o dia todo e ela ficava muito com a avó e os primos — meninos que jogavam futebol. Por volta dos 7 anos, Marta conta que começou sua paixão pelo esporte, mas durante um tempo ela voltava rapidamente para dentro de casa quando a mãe e o irmão apareciam, para que não soubessem disso.
“Tudo o que você sabe é crescer e jogar com os meninos da sua cidade. Mas, somente quando eles deixam isso acontecer. Porque eles sempre tinham aquele plano estúpido. Você pode jogar, eles diziam, mas só com o time formado por jogadores do bairro que não eram tão bons”, escreveu Marta no texto publicado pelo Players’ Tribune.
“E isso não importava. Porque mesmo quando você jogava com os meninos que não tinham habilidade com a bola nos pés, o seu time ainda vencia. Você dribla rápido, você joga num curto espaço de tempo e pensa rápido.”
“Você mostra para eles: você é uma garota, e você pode jogar futebol. Mas os comentários, os julgamentos, as piadas – tudo aquilo não vai parar. Mesmo quando você estiver no time local da cidade.”
Marta relata que, diante das represálias e da solidão que sentia nesta posição, se questionava: “Por que é que Deus me deu esse talento, se ninguém quer que eu jogue?”.
Algumas poucas pessoas, porém, pareciam querer: um amigo da família conseguiu um teste para Marta no Rio de Janeiro, e com isso ela passou a jogar no Vasco. Dali, a carreira da jogadora canhota, que joga entre o meio-campo e o ataque, voou para Belo Horizonte, Suécia e Estados Unidos — onde vive e joga atualmente.
“Você voltará para casa. Será em 2006 e você terá conquistado o prêmio de melhor jogadora do mundo pela Fifa pela primeira vez. (Isso mesmo, será apenas a primeira vez). Haverá uma multidão de pessoas esperando por você. Todo mundo quer ver a heroína da cidade que está de volta. Eles até mesmo vão carregar você no carro do Corpo de Bombeiros.”
A entrada da sua cidade passou a receber visitantes com a faixa: “Bem-vindo a Dois Riachos – Terra da Jogadora Marta”.
‘Uma raridade’
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Marta, na foto à direita, ao lado de colegas da seleção em foto de 2016
Em entrevista ao site da BBC, a treinadora Hope Powell definiu o talento de Marta como “absolutamente fenomenal, uma raridade.”
“Ela é uma verdadeira líder, uma definidora de partidas, uma inspiração dentro e fora do campo — com o trabalho que ela faz para promover o esporte. Ela é um verdadeiro trunfo.”
Caso queira ver com os próprios olhos, em 2020 o site Globo Esporte fez uma enquete com o público perguntando qual foi o gol mais bonito de Marta pela seleção brasileira. Foi escolhido um gol na partida do Brasil contra os Estados Unidos na Copa do Mundo da China de 2007.
Tamanho talento, porém, encontrou muitas vezes a desigualdade entre homens e mulheres como obstáculo.
Escrevendo para si mesma quando jovem, Marta reconheceu avanços, mas apontou os tantos passos que ainda precisam ser conquistados.
“É impressionante o quanto o jogo mudou para as mulheres. Mas, em muitas maneiras, você vai descobrir que sempre será um pouco mais difícil para as garotas. Os campeonatos e os clubes vão começar e vão acabar”, escreveu ao lembrar de histórias como a da decisão do presidente do Vasco de cortar o futebol feminino enquanto ela jogava lá.
A insatisfação da jogadora com o que aponta como tratamento desigual entre atletas homens e mulheres se manifesta em uma resistência antiga de receber patrocínio pessoal de marcas esportivas. À Olimpíada de Tóquio, ela foi mais uma vez sem uma.
“Estou usando a mesma chuteira. Com o mesmo símbolo, o ‘Go equal’. E continua sendo uma opção minha. Não é só pelo dinheiro em si. É toda uma história. Mas muitas vezes, os contratantes da patrocinadora não enxergam por esse lado. É um conjunto de coisas para a minha decisão. E posso ver que, por outro lado, isso ajudou outras atletas”, disse ao Globo Esporte.
A campanha “Go equal”, estampada na chuteira dela, pede pagamento igualitário entre homens e mulheres no esporte.
Ao longo dos anos, os rankings da revista France Football têm mostrado que os salários das jogadoras mais bem pagas do mundo, como Marta, são em um ano o equivalente a alguns dias de pagamento para craques do futebol masculino. Por parte da seleção, porém, a CBF anunciou em 2020 que tornaria iguais os pagamentos de prêmios e diárias às seleções masculina e feminina.
Na véspera da Olimpíada de Tóquio, Marta anunciou um patrocínio pessoal, mas não com uma marca esportiva, e sim com a companhia aérea Latam, que nomeou a jogadora como sua “líder global de Diversidade e Inclusão”.
Ela tem um outro título parecido, mas pelas Nações Unidas: é embaixadora da boa vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Sorte também no amor
No primeiro jogo da seleção feminina na Olimpíada, o Brasil fez 5 a 0 contra a China, com dois gols de Marta.
Ao comemorar, ela fez um gesto de T — depois, ela explicou que era uma homenagem a Toni Deion, sua noiva e também jogadora do time americano Orlando Pride.
Elas anunciaram o noivado no início de janeiro.
“Esse é mais um capítulo da história que estamos escrevendo juntas”, escreveu Marta na sua conta do Instagram, aparecendo ao lado de Toni em um ensaio fotográfico.
Nas redes sociais, a alagoana gosta de compartilhar também fotos dos três cachorros, Toby, Zeca e Zoe, que vivem com o casal em Orlando, Flórida, EUA. Aliás, os pets também têm uma conta no Instagram.
Parece que a brasileira nasceu com sorte no jogo e no amor.
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