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“Queria matar”, diz adolescente que entrou para o narcotráfico aos 14

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A ONG Reinserta, responsável por auxiliar jovens que integram o sistema de justiça criminal, elaborou um estudo intitulado “Meninas, meninos e adolescentes recrutados por criminosos organizados” depois de ouvir dezenas de histórias em centros de detenção.

Com a autorização da organização, a BBC reproduziu a história de uma filha de narcotraficantes, Susana*, de 17 anos. Ainda criança, ela começou a ajudar a mãe a vender drogas e, com apenas 14 anos, se juntou a um cartel no México onde foi treinada para ser uma assassina.

A menina nasceu em Monterrey, Nuevo León, e a mãe tinha dois empregos: um durante o dia, como ajudante de cozinha, e outro pela noite e madrugada, como dançarina em um bar. O pai biológico morreu quando ela tinha 3 anos, e a mãe se separou do padrasto por não tolerar as diversas brigas e o consumo de drogas.

Ela conta que a mãe se envolveu com o tráfico de drogas por não ter dinheiro o suficiente para suprir a família e contou com a sua ajuda a partir dos 10 anos de idade. Entretanto, Susana ficou órfã dois anos depois, quando a mãe foi assassinada por decidir trabalhar para outro cartel.

Depois disso, ela e os irmãos tornaram-se dependentes químicos e, aos 14 anos, foi convidada a participar do Cartel Noroeste.

“Eu tinha 14 anos e não tinha outra escolha. Pouco depois eu fui presa, mas só fiquei detida por um mês. Quando saí, tudo ficou muito claro para mim: eu não queria vender drogas, eu queria matar pessoas”, disse a jovem.

Com essa decisão, ela passou por diversos testes e um treinamento para aprender a matar e torturar e afirmou ter se viciado na adrenalina que essas coisas provocavam. “Eu gostei, queria mais, me viciei nisso. Eu finalmente havia encontrado algo que me fazia sentir melhor do que as drogas: matar”.

“Isso era uma maneira de liberar a raiva que senti quando minha mãe foi morta. Eu pensava: ‘Bem, se eles fizeram isso com minha mãe, por que eu não faço isso com os outros também?’ Minhas vítimas eram mulheres que tinham filhos, eu queria que eles sentissem o que eu senti, eu as matei na frente das crianças”, explica.

Porém, depois de meses perdidos entre prisões sem o apoio do cartel, Susana decidiu desertar definitivamente e atualmente ela cumpre pena de um ano de privação de liberdade em um centro de detenção. Com o apoio do padrasto e um dos irmãos, ela deseja reconstruir a vida e retomar a relação com a família.

Especialistas compartilham suas perspectivas no caso

Os responsáveis pelo estudo apontaram o impacto psicológico sofrido pela maioria dos entrevistados como o ponto que mais chamou atenção. Ao serem expostos a um nível extremo de violência em uma idade tão jovem, tiveram efeitos colaterais na forma de ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático.

“Quase todos eles vieram de contextos violentos, vítimas de maus-tratos. Muitos foram abandonados cedo, largaram a escola e tiveram acesso às drogas ainda aos 10 anos de idade, o que é um passo anterior à ligação com o crime organizado”, diz Marina Flores Camargo, diretora de pesquisa da ONG e que líder do estudo.

A maioria das famílias dos jovens tinham dificuldades financeiras e problemas psicológicos. “Esse cenário faz com que as crianças percebam que, depois de saírem da escola, podem ficar em casa ou se ligar ao crime. E essa é a opção que lhes permite ganhar dinheiro. Não há metas nem expectativas”, diz Camargo.

Por fim, ela diz que “é necessário criar centros comunitários especialmente onde a violência já foi identificada, detectar casos a tempo nas escolas para poder direcioná-los… não ver este problema de forma integral é um erro”.

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Fonte Notícia