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República mais antiga do mundo vai abolir prisão por aborto

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  • Lucas Ferraz
  • De Roma para a BBC News Brasil

Crédito, Getty Images

A terra da liberdade, como bradava um orgulhoso letreiro de boas-vindas na Sereníssima República de San Marino, conviveu por muitos anos com uma grande contradição. A república mais velha do planeta era um dos poucos países da Europa a ainda criminalizar o aborto com a prisão. A pena para as mulheres ou quem mais ajudasse a interromper a gravidez poderia chegar a três anos.

No domingo (26/9), o sim — pela despenalização do aborto — recebeu um apoio clamoroso, com mais de 77% dos votos, o que põe fim a um dos maiores tabus do pequeno Estado, cujo território (habitado por 33 mil pessoas) do tamanho da ilha de Manhattan (Nova York) está encravado no nordeste da Itália, seu único vizinho.

Agora, uma nova legislação deve ser aprovada pelo Parlamento em até seis meses. Segundo os termos da consulta popular, o aborto será permitido até a décima segunda semana de gestação. Em caso de malformação do feto ou se ele coloca em risco a saúde da mãe, o prazo para interromper a gravidez pode ser maior.

“Nós chegamos sempre depois nesse tema dos direitos das mulheres. É um problema histórico, que foi sendo empurrado ao longo de décadas”, afirmou à BBC Brasil Karen Pruccoli, uma empresária local e presidente da UDS, sigla em italiano da União das Mulheres Samarinenses, associação que promoveu o debate nas últimas semanas.

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