Rússia não está interessada em guerra, mas em mudanças, diz Putin
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O presidente russo Vladimir Putin afirmou que o país não deseja uma guerra contra a Ucrânia, mas que é necessário reforçar a importância de promover a discussão entre os países europeus sobre os mecanismos usados para garantir a proteção de todos. “Nós estamos prontos para discutir essas ideias sobre a segurança da Europa, já que fomos nós que a sugerimos em primeiro lugar”.
A declaração foi feita nesta terça-feira (15/2), durante coletiva de imprensa ao lado do chanceler alemão Olaf Scholz. A visita de Scholz à Rússia engloba a tentativa de atenuar, por esforços diplomáticos, a tensão entre Rússia e Ucrânia.
“É o nosso dever como chefes de estado fazer o possível para impedir uma guerra e aumento de tensões na Europa”, afirmou. Para o líder alemão, ainda existem saídas pacíficas para o conflito.
A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que pode desencadear um conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível guerraWolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito iminenteAgustavop/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho e evitar avanços de possíveis adversários nesse localPawel.gaul/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoIsso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 kmGetty Images
***russia-ucrania-conflitoPor essa razão, a aproximação da Ucrânia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acendeu o alerta de Vladimir Putin, presidente da Rússia, e desencadeou a reação militarAndre Borges/Esp. Metrópoles
***russia-ucrania-conflitoUma das exigências de Putin, portanto, é que o ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan com os ucranianos é uma ameaça à segurança do paísPoca/Getty Images
***russia-ucrania-conflitoA Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e planeja invadir o território ucraniano antes do fim da Olimpíada de Inverno de Pequim, segundo informações do jornal americano The New York TimesKutay TanirGetty Images
***russia-ucrania-conflitoPor outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta OTAN/Divulgação
***russia-ucrania-conflitoApesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por territórioAFP
***russia-ucrania-conflitoAlém disso, para o governo ucraniano, o conflito iminente é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Criméia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu territórioElena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoDesde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do EstadoWill & Deni McIntyre/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoSegundo especialistas, o conflito iminente teria potencial para impactar economicamente o mundo inteiro. Os países da Europa Ocidental, por exemplo, temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários delesVostok/ Getty Images
***russia-ucrania-conflitoApesar de o Brasil não ter laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo Vinícius Schmidt/Metrópoles
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A declaração de Putin seguiu a demanda de que os países europeus, os Estados Unidos e a Otan atentem às suas propostas, em que a principal é a não inclusão da Ucrânia na organização, pois a Rússia é contra o avanço de militares de países ocidentais no Leste europeu.
“É claro que cada país deve escolher livremente como garantir sua proteção. Mas, como já dissemos muitas vezes, não devemos reforçar a nossa segurança se isso significa tirá-la de os outros países”, destacou.
Em resposta a jornalistas, ele diz que Moscou continua aberta a negociações, “de forma que o resultado deve ser um acordo para garantir a igualdade de segurança de todos, incluindo nosso país”.
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